Diretor da Fast Shop confessa fraude de R$ 1,5 bilhão em ICMS e fecha acordo com MP
O diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, confessou sua participação em um esquema de fraude bilionária em créditos de ICMS em audiência no Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público de São Paulo, em 29 de agosto de 2025. Em documento obtido com exclusividade pela CNN, Gomes admitiu envolvimento em compensações indevidas de ICMS, alvo da operação Ícaro. Segundo sua confissão, entre 2021 e 2025, a Fast Shop obteve R$ 1.593.667.505,00 em ressarcimentos de ICMS, sendo R$ 553.389.364,00 referentes à cadeia de aquisição e venda da empresa e R$ 1.040.278.140,00 oriundos da cadeia anterior, calculados pelo auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. Gomes declarou não ter ingerência sobre o destino dos valores após o crédito à Fast Shop. Ele detalhou sua participação, afirmando que sua equipe providenciava a documentação para o ressarcimento, inserindo os dados no sistema da Secretaria da Fazenda. Gomes relatou que, em algumas ocasiões, o auditor — que possui acesso ao sistema com certificado digital da Fast Shop e está preso — solicitava os dados por e-mail ou os consultava diretamente no sistema, incluindo os valores da cadeia anterior e retransmitindo o pedido de ressarcimento. Após descobrir que Neto era funcionário da Secretaria da Fazenda, Gomes questionou-o sobre a autorização para homologar documentos, o que foi confirmado pelo auditor. Em decorrência da confissão, Gomes e os sócios da Fast Shop firmaram um acordo de não persecução penal de R$ 100 milhões, homologado pela Justiça, sendo R$ 55 milhões pagos pelo sócio Milton Kazuyuki Kakumoto. A empresa também se comprometeu com a implementação de um programa de compliance. Embora o acordo resolva a esfera criminal, a Secretaria da Fazenda continua cobrando os R$ 1,5 bilhão em impostos. As investigações do MP seguem para apurar a responsabilidade de fiscais e intermediários suspeitos de lavagem de dinheiro, e outras empresas, como a Ultrafarma, ainda não firmaram acordos semelhantes.
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